A trágica morte do engenheiro ambiental e estudante de mestrado Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, agredido após um ato político em Santos, acende o sinal vermelho mais estridente da nossa frágil democracia. O que deveria ser o exercício pleno do direito constitucional à livre expressão e à participação cidadã transformou-se em um cenário de horror e violência extrema. Casos como esse evidenciam que o espaço público brasileiro está sendo tomado por uma perigosa lógica de aniquilação do outro, onde a divergência ideológica ou a mera presença em um evento político se tornam sentenças de morte.
Independentemente do que as investigações policiais venham a apontar como motivação final — seja a violência patrimonial pura, a intolerância ideológica ou o preconceito homofóbico levantado por coletivos —, o fato central é intolerável: não se pode naturalizar o medo. Como bem destacou a nota oficial da Unifesp, o respeito à integridade física e o direito à livre circulação são pilares inegociáveis do regime democrático. Quando o ódio é instrumentalizado como ferramenta de intimidação e silenciamento, toda a sociedade perde um pedaço de sua liberdade.
A resposta das autoridades de segurança pública e da Justiça paulista precisa ser rápida, exemplar e rigorosa. Tratar episódios dessa gravidade como meras fatalidades urbanas é um erro que pavimenta o caminho para a barbárie institucionalizada. É imperioso punir os responsáveis com o rigor máximo da lei e, acima de tudo, promover uma profunda reflexão coletiva sobre o desarmamento dos espíritos. Sem um pacto civilizatório urgente pela paz e pela tolerância, o Brasil corre o risco de sufocar a sua própria democracia sob o peso da covardia e da impunidade.


